Te olho sem precisar te ver. junho 23, 2011
Posted by ograo in Uncategorized.trackback
Uma profusão de sentimentos. É uma palpitação sem sentido. Sentindo apenas uma forma espiralar no centro do plexo solar. Uma trepidação, uma latencia nas pernas, uma forma de sentir o enlace. Na forma do samba. No bom dia com suco de mamão e cream cheese. Não consigo largar o apego e ninguém mais sabe quando deu-se o apogeu. O que se sabe é que não pode parar. Demorou a começar. Tudo tem seu tempo, foram muitos tiros dispersos, aleatórios, até ter a certeza de no que acertar. Está claro que acertei em mim mesmo. Um chute de trivela no ângulo aos 45 do segundo tempo de uma final. Tudo começa com o descabaçamento. Primeiro entramos sem pedir licença, tiramos o que não serve, negociamos a retirada do excesso e a permanência do que ainda serve. Descabaçamos a forma rígida de perceber o espaço. O espaço entre mim e você. Entre minha arte e o seu talento. É ela, ela a mais bela de todas as moças, ela, minha atriz. A cena começa. Seus cabelos trançados, sua forma falsa de parecer ser/ter menos do que é. Mas é sempre muito mais. Mas sempre se dá muito mais. Encantado. Quantas formas de perceber algo agora que me parece estranho. Nunca o foi, se não apenas algo distante, mesmo que tão próximo, tão dentro, tão fora. Fora então uma longa espera? A espera neste inverno pela janela visto o inverso pela primavera que floresce à sombra do pé de siriguela. Daqui, do meu sofá é só o céu, as flores amarelas, samba de Chico e lama nas canelas. Da rua onde meus impulsos incontidos no sentido dela, não passam desapercebidos por ninguém, tampouco por aqueles olhos que me flagelam. Penso agora nas três fases do dia, que se entrecortam em mais nove e dezenoves mais. Mais que muitos pensamentos ao dia. É você constantemente a forma plástica dos meus hiatos matutitos, dos meus trajetos vespertinos e das minhas tragadas noturnas. Te trago e fico sem ar. Fumando agora existo na amostra cedida pela amiga que nos fez fumaça no muro da esquina. Sumidos na sombra da dama-da-noite, cambaleando pela ladeira até ao tronco de jasmim. Um perfume. Um cheiro seu que é só seu pois você exala o que quer. Como quer. Exala seu charme, exala sua fragilidade, sua sensibilidade. A maçaranduba forte, impenetrável, agora se mostra num botão de tulipa amarela. De copo cheio, sem colarinho. Sem se saciar em inspirar-te para traduzir sua essênica em excitação e prazer. São muitos prazeres ao mesmo tempo. Café, alcatrão, sofá, sol e você. Não nesta ordem. Sem nenhuma ordem. Foi um flash comparado a toda uma vida, mas que parece que está durando minha vida inteira. Sei lá, é estranho. Uma sensação estranha. Sentadinhos no banquinho do parque, já de noite, finalzinho de tarde, ponderando o que é bom e o que pode ficar melhor. Não há nada nunca que esteja negativado. Isso é bom. Está bom. Ficando melhor. Sim, as três letrinhas fáceis de dizer. Agora tenho que ir, vou-me para a metade do globo, onde todas as forças começam e se reencontram. Onde o pulso sobe numa espiral e desce na contrária. Á partir dali nos partimos para nos repartirmos dentro deste todo, entre tantos micro-coletivos.
Sim. Te vejo á noite. Depois do chá preto feito por Clara.
Te vi sempre sem te olhar. Te olho agora sem precisar te ver.
Lindo!