Lá fora está chovendo… e você toda de preto. maio 19, 2011
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Ainda tenho o seu cheiro enroscado, entrenhando, embaraçado na minha barba. Mentalizo o mantra a girar na minha cabeça como forma de me conectar à aquilo que não pode acontecer. Àquilo que deveria acontecer. À tudo que deixamos acontecer por nos deixar acontecer. Viver esse frenezi sem freio. Todas as pieguices de enroscar no seu cabelo, nos deixar levar, permitir o imaginário, folhear suas páginas e arrancar seu brinco. Ouvir o som da rolha explodindo ao sair da garrafa e perceber a sutileza do aroma que ocupa a sala, agora escura. Todos os grãos se parecem com o amor, mas ás vezes é a falta dele que faz da praia deserta. Nem tudo é como deve ser. Nem tudo acontece como a gente espera que deveria acontecer. Estou forte. E recebendo golpe atrás de golpe me mantenho de pé. Ou quase. Mesmo quando eu mesmo me desfiro um golpe sem ferir-me superficialmente, se não lá nas entranhas, no ego, no âmago. Onde o interno se remove como magma a explotar em erupção. Nos encaixamos. Como duas peças. Há tempos não vagueio por fora da casca a perceber o que acontece por aí pelo mundo. Claro, eu aqui, encerrado na idéia de manter-me com a idéia falecida remoendo e revirando ossos e migalhas. O amor morreu. E levou com ele meu fluxo contínuo. O amor morreu e levou o você de hoje. Ainda trago meu cigarro fino e puro e puxo um fio do seu cabelo da minha lapela. Racha cuca. Entorno vinho na sua gola e divido o pão em dois, o pequeno e grande. Fico com o pequeno, deixo o grande para quem há de merecer. Você deixou o seu anel, ficou. Leve para que se lembre que você ainda deve. Voltar pra onde veio, pra onde quem te olhe e te conserve um anjinho. Nossos nomes num grão de arroz e o desejo de postar pra você este conto que conta que hoje… é dia de luz cheia. Plena. Ainda temos muito a nos conhecer. Melhor.
Não escrevo mais para você, se não para a projeção de um outro Eu que encontrou em você o Eu que eu procurava. De boné, sob a chuva, a girar. Que maravilha. Se te consola eu me esqueci do que você me disse. Ainda estou sem comer e não tomei meu banho para tentar tirar você de mim. Emplasto.
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