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Grão alado. maio 17, 2011

Posted by ograo in Uncategorized.
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Uma aparente tranquilidade que maquia o desmantelamento, a dissolução de uma rocha inquebrantável. Um toque. O doloroso toque na ferida que está aberta. Como suas pernas. Um toque na alma. Posso dizer que sou apaixonado por você. Estou apaixonado pela permissão de me apaixonar diariamente por diversas vezes ao dia. O toque. O suave toque na abertura onde sua abertura já não se faz com silêncio senão com o suave ruído da sua voz mais fina. O abrir-te com a esperteza e o já sagaz caminho de te destravar apenas com os dentes. De sentir seu contorno com o deslizar por um caminho que mesmo que jure, sei que está ermo. Ermo de amor. Este seu caminho está sendo percorrido por provisões que não te completam, por isso este nosso encontro. Você supre minha ausência, minha carência, minha eterna relação com a saudade. Esta opressora relação com a ausência nos treinou para reagirmos a nós como interlocutores de nós mesmos, como aqueles que emitem o amor e o recebem por nos relacionarmos com aquele que está lá, há centímetros de distância. O infeliz é incapaz de te ouvir, te perceber, te sentir. Por isto este nosso re-encontro. Seguir este caminho é para mim a passagem de uma perfeição menor para uma perfeição maior, causada pela idéia de alguma provocação exterior. Seu inverso, seu torso, suas entorses. Suas feridas abertas. É aí onde entro. Sem a licença que deveria fazer dos amantes permissionários do verbo sentir. Sentir-se pleno. Enquanto ao final do banquete abandonou-se a presença daquela que se fez rocha, eis tu. Ex-você. Ex-nosso. Ex-nós. Ex machine. Deux. Que os livrem, que os mantenham livres para viverem suas permissões de se invadirem melhor, de se verem melhor, de se melhorarem enquanto mandíbulas abertas a comer moscas. Que nos liberte, tu e eu, eu e ela, para a contínua provação de que a intranqüilidade é a chave de onde queremos chegar. Esqueça-o. Encerrou-se o ciclo para você também. Um bonito ciclo que se encerra enquanto nos acostumamos a nos desacostumar. A desverbiar. Desamo. Desquero. Deslouvo. Despossuo-te. Uma tranqüilidade aparente enquanto você percorre com seu taxidriver os caminhos que desbravei, que abri, que deflorei. Mandíbulas abertas a comer moscas. Vou. Te levo agora a um banho, daqueles que essa água fervente de inverno nos faz suar, nos transa-aspira. Já te compus e recompus em banhos. Começamos tudo num banho. Lavamos a saudade de um tempo que jamais nos deixou. O tempo de viver o fluxo das nossas indeléveis amadas. Dos cantos que se curvaram, nos encaixaram, nos fluíram e nos traíram. Os panos que nos acompanham na indesejável tarefa de despertarmos sozinhos. Abrir os olhos e perceber já de madrugada que te fostes é o sentido de que a chave está mal posta. Deveria pesar mais sobre você. Como um urso. Mas das vezes em que ás oito em ponto o Sol se mostrou o dono do tempo, nosso banquete foi digno de provar que vida de artista é vida bandida, é vida em liberdade. É vida antes de mais nada vivida, sem ti dar. Sentida. É vida, antes de mais nada, sofrida. Sofrer de amor é muito ruim. Sofrer por amor é muito ruim. Gozar de ti por gozar contigo é tempo de ignorar os ignorantes, de velejar em poesia. Não mate o poeta. Sei que já o fizeste, mas o cambio entre os lápis e as linhas foi seu caminho escolhido. Escorrido. Já estou, já sou. A caminhar a sóis, de piso quente a passos em brasas, com fumos em planos. Escorreu montanha abaixo. Caiu no pontal da ilha, na cidade dos corações solitários. Roubado minha preocupação em vão. Meu interesse vil. Isso tudo pra você de nada serviu. Agora você te auto serve. Te retroalimenta. Chora. Venha. Te sirvo a qualquer hora. Mas chora. Chora. Mas venha.

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